34ª sessão ordinária vira audiência pública sobre revalidação do diploma de médicos estrangeiros. Toinho do Sopão é a favor da prova de revalidação
Estudantes e profissionais de medicina invadiram, nesta terça-feira (14), o Plenário da Assembleia Legislativa, muitos com a cara pintada, para pedir ajuda aos deputados contra a medida da Presidente Dilma Roussef em abrir a possibilidade de médicos do exterior atuarem no Brasil sem terem o seu diploma revalidado. "Isso está errado a meu ver, os médicos estrangeiros tem que passar pelos mesmos testes que os nossos profissionais quando vão trabalhar lá fora. Só faltava essa agora, qualquer médico e, muitas vezes sem boa formação, vir piorar a nossa saúde, que já está um caos", disse o deputado Toinho do Sopão (PEN) que ficou solidário aos profissionais e estudantes.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em entrevista concedida a vários órgãos de imprensa do país, o governo federal na semana passada anunciou a vinda de seis mil médicos cubanos para atuarem no país. O Brasil, segundo declarações do ministro, também quer firmar parcerias de intercâmbio com Portugal e Espanha para que os médicos atuem em áreas isoladas e nas periferias das grandes cidades. "Esses países têm uma taxa de cerca de quatro médicos por mil habitante (no Brasil são dois para cada mil) e, como muitos estão desempregados por conta da crise, acredito que seja uma boa oportunidade", afirmou o ministro, justificando a atitude do governo.
Pelo formato em discussão, médicos trabalhariam durante dois anos em cidades consideradas prioritárias - aquelas que convivem com carência de profissionais, nas áreas mais afastadas do País. Depois, receberiam licença especial para exercer a profissão. Conselhos Regionais da classe e o Conselho Federal de Medicina criticam o estímulo para profissionais estrangeiros.
Para o deputado Toinho do Sopão, o que falta no Brasil é investimento na saúde, na educação, porque uma coisa está ligada a outra. “Também os nossos hospitais, a maioria, não tem infraestrutura para os médicos brasileiros trabalharem. São várias questões. Primeiro, como um profissional vai trabalhar sem condições? Se nem esparadrapo tem no hospital, máquinas para exames que não funcionam, doentes que ficam esperando meses por uma cirurgia que deveria ter sido feita há muito tempo. O governo precisa dar condições para que os nossos jovens médicos aceitem trabalhar nas áreas mais carentes do Brasil, nas cidades mais pobres. Não adianta um médico ganhar bem, mas não ter estrutura para trabalhar e ver o seu paciente morrer por causa de motivos inaceitáveis como desses acima.", desabafou o deputado.
Toinho, também se lembrou de um fator importante, que é fundamental para este caso. "Muitos brasileiros como não tiveram acesso à educação, não conseguem entender o que está escrito na receita nem de um médico brasileiro, que fala português, imagina um estrangeiro. Como vai ser essa comunicação? O paciente vai ficar completamente desamparado e confuso. Repito, nós devemos garantir aos brasileiros, médicos qualificados e infraestrutura com condições para que exerçam a medicina com qualidade e competência", afirmou o parlamentar.
Segundo dados do Conselho Federal de Medicina, em 2010, de 507 profissionais estrangeiros inscritos na revalidação, 505 foram reprovados e, em 2011, dos 677 inscritos, 612 foram reprovados. "Só por essas informações concluímos que a presidente Dilma está equivocada se formalizar esta medida", concluiu Toinho.
ascom