Na contramão das estatísticas do trânsito em todo o país, a Lei Seca não surtiu o efeito esperado na Paraíba. A medida que acaba de completar dois anos, em vigor desde 20 de junho de 2008, fez o índice nacional de mortes provocadas por acidentes automobilísticos cair de 19.902 (referente ao período de 2006 a 2008) para 15 mil (2008-2010), segundo dados divulgados pela Globo News. Enquanto isso, o número de mortes do trânsito paraibano nas estradas federais saltou de 317 (entre 2006 e 2008) para 392 (2008-2010), o que corresponde a 19, 2%, conforme levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Estado.
Para o chefe regional do Núcleo de Comunicação da PRF, Inspetor Genésio Vieira, a culpa no crescimento lamentável desse quadro está na imprudência dos motoristas que circulam na Paraíba. “A lei é para ser cumprida e estamos cumprindo a lei, através das fiscalizações. O que acontece é que a questão de misturar alcóol e direção é cultural, porque se a pessoa bebe e sai dirigindo, mesmo sabendo que é crime, está sendo imprudente. Prova de que não tem o menor senso de responsabilidade e obediência ao que determina a lei”, avalia.
O inspetor se refere ao alto número de autuações realizadas pela Polícia Rodoviária Federal em blitz e operações especiais desde que a atual legislação entrou em vigor. Foram cerca de 1.200 motoristas autuados, dos quais pelo menos 850 foram conduzidos para delegacias por apresentarem um teor alcóolico a partir de 0,3 mg por litro de ar expelido pelos pulmões.
“Apenas no final do ano passado que os outros órgãos também começaram a fiscalizar, a exemplo da CPTran (Companhia de Policiamento de Trânsito), inclusive dentro das cidades”, afirma Genésio Vieira. “E a população deve fazer sua parte e ter consciência, pois sabe muito bem que dirigir sobre efeito de bebida alcóolica é crime. Não há uma só pessoa que não tenha conhecimento dessas exigências da lei”.
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