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O que é Criptoeconomia, por José Romero Araújo Cardoso

29.07.10 - 20:34

O que é Criptoeconomia
 
(*) José Romero Araújo Cardoso
 
Criptoeconomia tem sua etimologia no grego clássico, significando, amiúde, leis subterrâneas que regem a casa que está oculta, ou seja, a sociedade underground, pois números apresentados por esse setor não são computados pelas estatísticas oficiais.
         
A criptoeconomia compreende em geral o submundo da marginalidade, presente desde serviços de pistolagem ao tráfico de drogas e de armas, contrabando, prostituição, jogos proibidos e reprimidos oficialmente, a exemplo das jogatinas de Cassinos no Brasil, proibidas por Dutra quando de sua gestão na presidência da República, entre outras inúmeras e diversificadas manifestações.
         
 No geral a criptoeconomia perfaz preocupações do aparelho repressivo do Estado no ensejo do cumprimento de tarefas para o funcionamento legal da sociedade, tendo em vista que a forma como o setor se manifesta invariavelmente vem caracterizada pelo uso da violência a fim de afirmar interesses.
         
Na Itália, a Máfia, surgida na Idade Média para garantir benefícios a uma região historicamente esquecida, no caso a Sicília, derivou para uma poderosa organização criptoeconômica que se caracteriza pela atuação criminosa tentacular, a qual açambarca dos crimes de encomenda ao tráfico de drogas e de armas, entre inúmeras outras atividades.   Trata-se de uma organização sofisticada que inspirou inúmeras confrarias criminosas mundo a fora, tendo abrigado lendas como Al Capone, criminoso número um da história da humanidade. Até o ítalo-americano Frank Sinatra teve benefícios propiciados pela Máfia Italiana.  Após a marcha sobre Roma, em 1922, quando os fascistas chegam ao poder, impressionando futuros ditadores, como o General argentino Juan Péron, Mussollini passou a concentrar esforços na repressão à Máfia Siciliana, gerando ódio inaudito dos italianos do sul à sua pessoa. Foi nesta região que os aliados apostaram seus esforços a fim de viabilizar a entrada na península itálica quando da segunda guerra mundial.  A Máfia fazia, e ainda faz, inegavelmente, papel do Estado em uma área historicamente relegada ao esquecimento, assistindo e amparando carentes e desvalidos, não obstante suas vendettas sejam conhecidas para àqueles que ousarem trair a organização. No Brasil, papel semelhante é desempenhado nos morros cariocas, quando traficantes, em troca de favores, imitam sua congênere maior localizada no continente europeu.
         
Impossível saber com precisão o volume astronômico gerado pelas atividades criptoeconômicas, pois os números não são computados pelas estatísticas oficiais fornecidas pelos governos de todos os países.
        
  Existem casos em que atividades ilegais provavelmente cheguem perto ou até mesmo possam ultrapassar o próprio produto interno bruto de alguns países, a exemplo da produção, distribuição e comércio de cocaína.
         
Assim como a economia formal, a criptoeconomia também abrange quatro setores, quais sejam, o primário, o secundário, o terciário e o terciário superior ou quaternário, tendo em vista que as atividades ligadas à economia subterrânea seguem a evolução dos tempos, sofisticando-se à medida que exponencializam-se as exigências de efetivação de atividades ilícitas.
         
Mas não é somente de atividades criminosas que se move a criptoeconomia, pois tudo que não é declarado oficialmente pelas estatísticas fornecidas por setores competentes ligados aos governos dos países integra o conjunto da produção de bens e serviços.
         
 A economia informal presente no dinheiro conseguido por um vendedor de chiclete em semáforos ou no apurado diário de um flanelinha também engrossa o volume incalculável gerado pela criptoeconomia a nível mundial, embora no geral vão ser em atividades poderosas do submundo do crime onde encontram-se percentual gigantesco e extraordinário que move a economia subterrânea.
         
 A criptoeconomia assumiu importância extraordinária a ponto de grupos guerrilheiros se vincularem ao narcotráfico a fim de buscar condições para a continuidade da luta que encabeçam, a exemplo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as quais no presente imprescindem de simbiose com o esquema do tráfico internacional de drogas, uma das razões para o controle de diversos territórios neste país sul-americano.
         
Impossível dimensionar o tamanho da criptoecomina a nível planetário, pois geralmente envolta no desconhecimento de sua dimensão total torna-se inviável calcular os números gerados pelas atividades  que a esta estão vinculadas.
 
(*) José Romero Araújo Cardoso. Geógrafo. Professor-adjunto do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Geografia e Gestão Territorial e em Organização de Arquivos. Mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente. Membro do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP). Contato: romero.cardoso@gmail.com.
 

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