CLEMILDO BRUNET*
Este mal é uma doença na vida das pessoas que teve seu início nos primórdios da humanidade. João, o apóstolo, novo testamento da bíblia, nos faz uma advertência em sua primeira carta, alertando para o fato que o primeiro homicídio registrado na história da humanidade, se deu por causa da inveja. Ele fala do amor que deve ser disseminado entre os homens, e recomenda: “Que amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.” I Jo. 3: 11b,12.
Inveja - no dicionário é definida como: Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem. Desejo violento de possuir o bem alheio. No conceito bíblico é uma doença da alma. No hebraico, língua em que foi escrito o velho testamento “quinha” (inveja) = significa literalmente ambição sem medida. “O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos” Pv. 14:30.
A inveja consiste naquilo que o outro tem tornando-se alvo do que queremos ter. Muitas vezes ela se manifesta no individuo de modo velado. Nem sempre quem sente inveja manifesta com transparência esse mal, mas, o uso das palavras revela a incapacidade de enxergar o raio de luz que há em seu semelhante.
A história de José do Egito é um exemplo dessa realidade. O patriarca Jacó perante os outros filhos demonstrava seu amor maior por José. Fez uma túnica talar de mangas cumpridas e deu-lhe de presente, diz o texto sagrado: “Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente”... “Seus irmãos lhe tinham ciúmes (inveja); o pai, no entanto, considerava o caso consigo mesmo”. Gn.37:4,11.
A raiz maligna da inveja instala-se logo no seio da família. Os pais precisam ter cuidado no trato que dão aos filhos, para não cometer o erro de Jacó que tratava José com primazia. O desequilíbrio familiar na maioria das vezes tem se dado porque muitos pais de família fazem diferença entre filho e filhos, deixando transparecer seu amor de modo exacerbado.
Se este mal se registra na família, o que não dizer entre pessoas que nem da família são.
A manifestação da inveja se dá logo na mais tenra idade entre crianças possuidoras de brinquedos, quando se encontram para brincar, o desejo é ficar com o objeto do outro, enquanto que o outro não quer de modo algum se desprender do que possui, para que pelo menos, por instantes enquanto brinca, um possa compartilhar do brinquedo do outro.
A inveja é tão perniciosa que tem muito a ver com o comportamento de fingir, falsear, simular, a ponto de seu portador não se declarar abertamente e viver se ocultando. Transmuda-se em diversas modalidades. É usada pela espécie humana como mecanismo de defesa, no entanto, o intuito malévolo determina que o seu agente seja ardiloso. João Crisóstomo costumava dizer: “Da mesma forma que a traça destrói uma roupa, assim a inveja consome a vida”
A inveja leva o homem a competir com o seu próximo de modo desigual. O sábio Salomão declara esta verdade nas palavras que estão escritas no livro de Eclesiastes capítulo 4 verso 4. “Então, vi que todo trabalho e toda destreza em obras provêm da inveja do homem contra o seu próximo. Também isto é vaidade e correr atrás do vento”.
A inveja campeia no fato de alguém exaltar seus predicados em detrimento de outrem. Seus pertences são sempre melhores, suas riquezas são maiores e suas aptidões também. O apóstolo Paulo nos admoesta para não incorrermos nesses erros: “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” Gl 5:26.
A inveja prejudica a vida das pessoas, pois ela se integra entre os vícios, ou pecados capitais, juntamente com a soberba, a avareza, a luxúria, a ira, a gula e a preguiça. Não é sem razão que alguém já disse: “A ferrugem consome o ferro e o enfraquece, e a inveja pelas projeções dos maus sentimentos dos invejosos o faz contrair um sem números de doenças”.
*RADIALISTA